domingo, 21 de junho de 2009
domingo, 31 de maio de 2009
Quando acaba, seca, se torna um canion...
Seco, árido, abafado, mas ainda com sinais de vida...
Então a beleza seca se torna característica de nós, e mesmo assim,
Mesmo invariavelmente parecendo frágil
Parecendo q vai desmoronar... nossa vida atrai curiosos,
Atrai adeptos, amantes...
E novos rios e fontes puras são descobertos...
E a vida volta a jorrar
Sai do fluir lento da brisa quente que passeia pelos corredores vazios...
Se torna uma corredeira apaixonante... e perigosa...
Até secar novamente...
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Crônica da saudade...
*Foto - Renata de Brito
Entre a correria do dia a dia e as pilhas de papéis (importantes) para resolver, nos isolamos em um mundo subjetivo, frio, sem perspectiva de paz.
Num lampejo de folga, sentada agora, observando o mundo ao qual sirvo mas do qual não faço parte, percebo o quanto da beleza me permiti perder.
A pacata vida caiçara, que é berço da nossa realidade e que conhecemos apenas pelo que vemos através da janela.
O som existente no silêncio...
O assobio do vento que refresca o sol...
As aves que pousam junto ao pescador...
A onda que quebra nas pedras...
A calmaria repentina...
O caos...
O nada...
O tudo que invade o coração...
A paz...
Fragmentos da real existência das nossas pessoas. O sentir livre, ser livre, é o termo incondicional dessa gente. São o que desejamos poder.
Não invejo quem está acima de mim, tem mais que eu. Invejo essa gente simples, que se guia pelas marés, que ora por boa pesca e saúde, que não almeja mais do que o que Deus lhe dá de presente.
Invejo por não poder ouvir o canto do mar, sentir a chuva no rosto, correr descalça e me atirar. Intensamente... Incondicionalmente... De verdade...
Somos tão pequeninos em nossos cargos temporários, nossas prisões cotidianas, carros envenenados, jóias exclusivas. Poder e glória pessoal quando, tudo o que precisamos ter, é honra e liberdade.
Pobres mortais...
quarta-feira, 11 de março de 2009
A voz...

Ouço distante, a revoada de passarinhos... embalados por cítaras, fazem sua coreografia cortando o ar.
Ouço o riso de uma criança, explodindo em gargalhadas... fazendo redemoinhos de alegria e iluminando a noite descampada.
Ouço o silêncio que inunda o caos das idéias... cantarolando emoções e fazendo embebedar nos rios das invenções.
Ouço o devaneio gritante do homem errante... chorando e correndo, fugindo da culpa e do medo de ser feliz.
Ouço apenas, nada sinto... ouço e nada falo, pois o falar dos tolos faz perder a essência de tudo o que não deve ser além de natural...
terça-feira, 3 de março de 2009
Mari...

alguém há de aparecer
se fazer merecedor do teu coração
alguém real
de carne e osso
não de sonhos
nem de códigos binários
alguém com cheiro, gosto, temperatura, tato
a viagem que se deve fazer
aquela que te dá segurança antes de acontecer
se aventurar no medo e incerteza
não é saudável
você vai superar os obstáculos
vai curar seu coração
vai conseguir sim
pois não está numa luta solitária
está no envolvimento do abraço caloroso
do amor incondicional
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Vá

A escalada do seu coração dita to rítmo do seu caminhar
Nada é tudo e impede de no chão ficar
A cada passo um novo voo, a cada sonho um amanhecer
Todo momento é doce aventura e nunca será um tédio você vai ver
Largue toda insegurança, divida suas lágrimas de dor
Conte comigo nessa jornada, estou com você seja onde for
Nenhum homem, nenhuma pedra, podem te tirar da direção
Veja os planos, multiplique as metas, deixe falar sua emoção
Voe, pule, se jogue sem para quedas, no grande infinito
Ria, chore, dance, pule, seu riso será mais bonito...
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Sexualidade - apenas uma tese
"Prazer
Você é canoa em que desço / vida a baixo, morte acima / Em você procuro o naufrágio/ me entregando à deriva / Você é casulo de fios infinitos / onde o invasor é bem recebido / Você é pele exata para mim / Pena da ave mais bonita / Brilho de fruta, aurora boreal de um longo inverno "
Muito do que se observa é a proibição do auto-conhecimento nas crianças. Como podemos considerar um adulto consciente de si e de suas preferências se, durante a formação de sua personalidade, na infância ele foi reprimido e recriminado pelas atitudes tomadas em relação a si e seu corpo.
A racionalização foi elaborada para trazer paz social. Mas também traz uma eterna batalha entre ID (subconsciente, onde residem os desejos primais e instinto) e EGO (mundo povoado pela razão, estímulos externos e padrões sociais). O que valorizar? O conceito coletivo ou a necessidade primária de satisfação pessoal. Até mesmo essa situação pode causar prazer...
A diversidade humana possibilita muitas realidades no contexto maior, social. Os enfoques dados aos fatos são o que capacitam a construção de diversos horizontes existentes. Porém, em algumas situações a percepção parcial do outro resulta em desentendimentos, conflitos e rompimentos relacionais.
O objeto de nossa análise, serve como pano de fundo para inúmeras discussões, uma vez que é considerado tabu dentro de diversas culturas.
Na psicologia, as diferentes escolas têm um jeito próprio de encarar a sexualidade e, cada enfoque dado faz deste um assunto mais interessante.
O que queremos demonstrar não é o ato sexual, o coito, em si, mas todo o universo que o cerca. A atividade sexual, seja por prazer ou para reprodução é apenas a concretização de uma estrutura imensa latente, inconscientemente desenvolvida pelo indivíduo.
O que muitos não compreendem é que há mais que contato físico envolvido. Existem sentimentos, descobertas, sonhos e ilusões que marcam e passam a ter significado com isso.
"Porque, pálida inocência, / os olhos teus em dormência / a medo lanças a mim? / No aperto da minha mão / que sonhos do coração / tremeu-te os seios assim?" ( Álvares de Azevedo - Lira dos Vinte Anos)
Desde que se nasce, a sociedade impõe padrões comportamentais aos quais, por desconhecer ou não se interessar pelas expectativas individuais, aceita e absorve. Um sentimento de culpa se instala no inconsciente quando se fala de satisfazer a si mesmo antes do social. Há uma inversão na pirâmide de motivação.
Como dissemos anteriormente, sexo não é apenas o contato físico. Sexo é o que lhe dá paixão, desejo, o que satisfaz até o mais íntimo de sua alma. Tudo na vida pode ser considerado sexual, desde que o fator prazer esteja envolvido.
Por mais que o homem seja comparado a animais, e impelido a aceitar sua sexualidade como suja e a si como objeto de procriação, devemos entender que, os sentidos básicos (tato, olfato, paladar e visão) nos são diferenciados dos demais animais exatamente para exercer a satisfação plena individual.
Situação: quando compramos um perfume, por que o fazemos? Apenas para não nos sentirmos comuns, nos destacarmos entre os outros? Ou queremos nos sentir melhores? E o que nos leva a escolher uma fragrância e não outra? A sociedade, outro indivíduo ou o nosso prazer ao entrar em contato com ela?
Na verdade, todas as respostas ao questionamento acima se complementam pois estão dentro da sacieade das necessidades psicossociais de auto-aceitação.
Temos, durante nosso desenvolvimento, procurado sempre pelas conquistas pessoais, formas de alimentar o ego. Se sexo é fundamentado em prazer, então até o fato de respirar e sentir-se bem com isso é sexo.
Não existia na obra de Freud uma definição precisa de sexualidade, uma vez que a extensão que fazia dela e o fato de tomar o aspecto genital como um caso particular do comportamento sexual não permitem definir a sexualidade senão segundo duas visões: as pulsões parciais, de um lado, e o complexo de Édipo de outro. O conceito de libido testemunha o papel primodial que ele atribui à sexualidade na vida psíquica. O reconhecimento dado por ele à sexualidade infantil separou a função sexual da estrita finalidade procriativa e deslocou, paralelamente, o interesse do aspecto biológico para o emocional, que está na base da sexualidade.
Freud colocou bem essa definição, não para que fosse categoricamente aceita, mas para pensarmos. Existem pessoas que têm orgasmo comendo um doce, ouvindo música, se arriscando e, outras, que em toda a vida nunca o atingiram. Dependem da personalidade os fatores e causas, mas a finalidade é sempre a mesma, prazer.
O ato de viver é um eterno ato sexual com suas situações de ápice e decadência, aprimoramento e corrida frenética, modificação energética e consciência de si e dos outros.
O primeiro passo sexual é reconhecer ao próprio corpo, o que agrada e desagrada, é a nossa infância. Depois, começamos o convívio social, passando nossos conhecimentos sobre nós mesmos para esse novo âmbito.
O que importa aqui é sentir-se bem, agradável, e isso ocorre com a formação dos grupos sociais, as "panelinhas". Essa atitude nada mais é que ter para si os iguais e repelir os diferentes, pois estes não atraem, não satisfazem nossas necessidades emocionais.
"... E há tempos nem os santos têm ao certo / a medida da maldade / há tempos são os jovens que adoecem / á tempos o encanto está ausente / e há ferrugem no sorriso / e só o acaso estende os braços / a quem procura abrigo e proteção..." (Legião Urbana - Há tempos)
Depois, com os sentimentos (teoricamente) estruturados e em boa interação com a percepção e captação do contexto, passam a existir a atração pelo sexo oposto, as respostas do corpo a determinados estímulos, o ato sexual e toda a sorte de busca pelo prazer.
Mais uma vez afirmamos. Vida é a busca incessante pela satisfação. Sexo também. Então, sexo é vida e vice-versa.
O objeto, independente da conotação dada ou do significado dentro de cada nicho cultural seá sempre o mesmo, sexo. Mas sua estrutura e conceito ontológicos são diversos: amor, valorização do ser, estima, visão de mundo, procura pelo prazer pleno, desenvolvimento dos instintos físicos e psíquicos, encontro com a extrema excitação e satisfação pessoal. Sem culpa ou sentimento de extorção.
"Pra ti, o que vê em mim é a realidad. / Mas não conheces o papel que na vida me faz contracenar / Sendo assim, posso maquiar a realidade, mas meu coração, jamais" (Christina Aguilera - My reflexion)



