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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Só um soneto...


O amor, antes adormecido, quer despertar

Não tem volta, me perdi no teu olhar

Me joguei aos teus pés tal navio a naufragar


Anônima em meio aos gritos

Esperando merecer dos teus lábios os risos

Sonhando acordada com os desejos não ditos


Agora, rasga meu peito com tanto querer

Permaneço esquecida no vão do pensamento

Não mereço da tua alma tanto querer

Mas esse sentir transpassa todo entendimento


Voa, glorioso vazio que invade meu dia

Acalenta os desejos de tanta solidão

Fugaz, revira a cabeça com nostalgia

Momentos invisíveis que devoram meu coração




quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Carta



Hoje a noite está pálida. Não vejo estrelas brilhando nem a lua observando a Terra.
Posso sentir a tristeza...
Porque nem a brisa costumeira que me leva até você passou por aqui... até agora, só a saudade do seu cheiro chega ao meu coração.
As gotas que caem do céu lembram aquela melodia doce e triste que ouvimos a primeira vez. Talvez as gotas, que na minha face rolam, sejam bailarinas nessa bela valsa...
Posso então fechar meus olhos para ficar mais perto. Gostaria que fizesse o mesmo, e lembrasse o que vou descrever...
Fecho os olhos e sinto suas mãos, sutis, percorrendo meu corpo molhado, envolto na toalha, mascarando as lágrimas de felicidade por estar contigo.
Sinto sua boca quente beijando docemente a minha, como se fossemos as únicas pessoas e disso valesse nossa existência...
Sinto sua língua e dentes acariciando sutilmente meus seios, fazendo-me gemer com o prazer do seu toque...
Sinto minha entrega completa aos seus carinhos e o peso do seu corpo sobre o meu, nos longos minutos de intenso e proibido desejo aos quais nos demos ao luxo.
Sinto sua respiração ofegante, seu corpo quente e macio junto ao meu, após fazermos amor...
A ausência do que me traz você desperta o desejo de tê-lo (de novo). A vontade de tê-lo presente me leva a dedicar a você meu corpo, amor e alma.
Hoje, não vejo estrelas nem tenho a lua para conversar, não segui até você com o vento e nem sequei suas lágrimas, mas ao menos em seus sonhos pude me entregar pra você mais uma vez e tê-lo intensa e completamente aqui...

domingo, 23 de novembro de 2008

Um momento de reflexão tola


Cada dia que passa pensamos na possiblidade em nossas vidas. Mas nunca paramos para aspirar realmente os sonhos.
Quando algo ou alguém surge, tirando seus planos da neurose pré concebida de normalidade, o pânico invade as veias e causa fobia.
Essa fobia te faz perder a razão, te faz suar frio e temer pelo futuro. Essa fobia te transforma num ser tóxico e mortal...
Não existe razão na razão. Mas existe razão na emoção. O homem é um ser emotivo, emocional, feito do amor... Para todos os outros patamares existe a loucura.
São esses apenas fragmentos de um pensar construído num coração estilhaçado. São fragmentos de um sonho destruído, de um amor mal resolvido, de uma vida paralizada.
Até quando, até onde pode ir um coração não amado? Qual a capacidade destrutiva e voraz de uma alma sedenta por conforto e amor? Qual gatilho é acionado no momento em que um ser perdido em si mesmo ouve um não?
Onde está o sentido da felicidade para as deformidades de nossa alma? Onde estão o acreditar e o amar Divinos?
São tantas questões, tantos devaneios, tantas palavras absurdas... Eu, aqui, só posso sonhar...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O tudo do nada

Como ondas de um mar bravio passo em sua vida.
Como orvalho gelado cubro a sua manhã.
Como gota de chuva rolo pelo seu corpo.
Como calor de verão enxo seu coração.

Com uma dor cortante roubo sua paz.
Com a lâmina de minhas palavras te faço escravo de mim.
Com o fio do meu olhar tiro sua vida.
Com o sangue fervendo nas veias te causo suspiros.

Como sentimento invado teus dias.
Como pranto te faço mais humano.
Como saudade mato um pouco de quem sou.
Como metade refugio meu valor no teu amor.

Com cautela vôo pra longe daqui.
Com descaso grito pro infinito te sequestrar.
Com a voz entrecortada desafio teu querer.
Com a vida por um fio desisto de você...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O que realmente importa...


Precisamos estar conectados às pessoas que amamos, pra nos dizer amigos.
Pois muitas vezes, em uma sensação diferente que temos, descobrimos o que o outro tem, e como podemos ajudar, ou comemorar junto, mesmo em silêncio...
Pra isso, as portas do nosso coração precisam estar abertas.
Também temos mania de falar "eu entendo"... um amigo não apenas entende. Não apenas maqueia as coisas num mundo cor de rosa...
Amigo mesmo briga, alerta, adverte, ou como diz a Aline, chega na voadora.
Tudo flui naturalmente, como o riso espontâneo de uma criança, ou como as lágrimas de um amante. Não, na verdade, espontâneo como um suspiro de esperança pelo amanhã melhor...
Ter amizade, não é olhar na mesma direção, mas caminhar o mesmo caminho, mesmo que as pedras que se pisam não sejam as mesmas.
É acompanhar todo o trajeto nessa louca viagem que é viver.
Amigos não ESTÃO presentes. Eles SÂO presentes.
É o custo da conexão das almas num sentimento verdadeiro.
A dor dói em todos, a alegria traz riso a todos.
Ser e não somente estar, viver e não somente passar pela história um do outro.
Na amizade, não existe barreira alguma.
Não há tempo, não há lugar, não há sexo, idade, crença ou cor.
Nada existe que proíba tal amor...
Pois assim, nos amamos do jeito que amo vocês, pela eternidade, além do infinito e voltando dele...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Apenas...


Olho pela janela e sinto o frio da saudade.
Essa saudade que salga o dia e amarga a carne.
A brisa que me toca o rosto é perfume e carinho.
Traz de volta a presena tua, que me invade.
Contar os minutos... É pouco.
Para te ter combato o mundo.
Quero sempre, ao teu lado, construir meu sonho.
Como pode nascer tal querer no coração da gente?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Pensamento

Cada dia que duvido do meu ser,
me empenho mais no cair.
Cada vez que a solidão me envolve,
me desprendo mais de quem sou.
Cada hora que choro por um amor,
me esqueço de respirar.
Cada momento em que sofro,
me deixo naufragar...